AMOR OU ÓDIO?

PR. ALEJANDRO BULLÓN

“Alguma vez o perturbou a idéia de um Deus cruel e sangüinário que ordenava matar mulheres e crianças no Velho Testamento? Como harmonizar a mensagem de amor do Novo Testamento com o Deus guerreiro da primeira parte da Bíblia?

Amor e Ódio | Associação de Estudos Huna


“Assim diz o Senhor dos Exércitos: Eu me recordei do que fez Amaleque a Israel, como se lhe opôs no caminho, quando subia do Egito. Vai, pois, agora e fere a Amaleque, e destrói totalmente a tudo o que tiver, e não lhe perdoes; porém matarás desde o homem até à mulher, desde os meninos até aos de mama, desde os bois até às ovelhas, e desde os camelos até aos jumentos”. (I Samuel 15:2 e 3) Caro leitor, o texto acima contém uma das ordens mais estranhas da Bíblia. É sempre difícil entender este assunto. Esta ordem foi dada à Israel, quando conquistou a terra de Canaã: “Entre e mate tudo o que encontrar em seu caminho. Mate homens, mulheres, crianças, animais, e jogue fogo em cima de tudo. Não deixe nada vivo”. Ai daquele que se atrevesse a desobedecer!


Um homem chamado Acã escondeu uns vasos de prata e uns mantos muito bonitos porque considerava estas coisas muito valiosas para serem queimadas. E Deus mandou que fosse apedrejado. Houve também um rei que tentou desobedecer. Seu nome era Saul. Ele poupou a vida do rei cananeu e levou o gado gordo sob a alegação de que o gado seria oferecido em sacrifício a Deus. E o Senhor respondeu: “Eu não quero sacrifício, eu quero obediência”. E o rei Saul foi rejeitado do trono e teve um futuro triste.


Deus não admitia que o homem o desobedecesse e a ordem era muito estranha, sangüinária e cruel. Como matar mulheres, crianças e animais? Se ao menos a ordem fosse para matar os soldados até que poderia ser compreensível. Mas por que matar crianças e mulheres? Por que queimar e destruir tudo?


Tem muita gente sincera que não acredita num Deus de amor, porque não consegue entender alguns aparentes mistérios da Bíblia. Mas este assunto pode ser entendido embora não seja muito simples.


Primeiramente temos que entender três coisas:

1. Todo aquele que se separa de Deus, perde a vida porque a vida está em Deus.

2. Aquele que perde a vida por separar-se de Deus, pode continuar respirando, andando, comendo e trabalhando, mas o que ele vive não é mais vida, é uma loucura, é algo que não tem sentido. E como vive sem Deus, claro, ele dá rédea solta aos seus instintos e acaba se depravando, se degenerando e se arruinando sozinho.

3. Embora o homem que se afasta de Deus viva uma vida rebelde e suicida, Deus tem muita paciência com ele, mas um dia esse homem, chega ao ponto em que é melhor para ele parar de respirar, porque morto já estava desde o momento em que se separou de Deus.


Vamos tentar entender estes três assuntos.

Primeiro, o que é a vida?

A vida é um período de mais ou menos 80 anos durante o qual o coração bate e o pulmão respira. Eu lhe pergunto: Você que está fazendo esta leitura está vivo?

Biologicamente sim, mas espiritualmente, depende. Depende de quê? De sua comunhão com a vida. Mas o que é a vida?

Quando Jesus esteve aqui nesta terra Ele respondeu: “… Eu sou o caminho, e a verdade e a vida…” (João 14:6)

Em outra ocasião Ele disse: “… Eu sou a ressurreição e a vida…” (João 11:25)

E São João acrescenta: “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida…” (João 3:36)

A vida meu amigo, é uma pessoa: a vida é Jesus. E somente vivem na plenitude da Palavra os que vivem uma vida de comunhão com Ele. No momento em que o homem se separa da pessoa vida, que é Jesus, ele pode continuar respirando, andando, movimentando-se, mas já não vive, está morto. Porque a vida que o homem vive sem Jesus é uma caricatura de vida, é um arremedo de vida, é um inferno.


O segundo ponto que precisamos entender é que aquele povo Cananeu tinha se afastado do Deus da vida e portanto já não tinha mais vida, apenas existia. Tirando Deus de sua existência, esses homens carregavam um vazio interior terrível e para preenchê-lo davam rédea solta aos seus instintos chegando à depravação em busca da satisfação dos sentidos.

Quer ver como vivia esse povo?: “Mas o Senhor falou a Moisés dizendo: fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Eu sou o Senhor vosso Deus. Não fareis segundo as obras da terra do Egito, em que habitastes, nem fareis segundo as obras da terra de Canaã, para a qual eu vos levo, nem andareis nos seus estatutos”. (Levítico 18:1 a 3)

Mas o que fazia aquele povo, que Israel não devia imitá-lo? Quais eram os seus costumes? Todo o capítulo 18 de Levíticos fala do que os cananeus faziam.

O povo Cananeu era um povo sem rédeas, sem valores morais, um povo desesperado. Sem Deus era lógico, não tinha vida, então tentou dar sentido à sua existência experimentando de tudo. Nada o satisfazia. O povo vivia louco e desesperado. Homens deitavam-se com homens; mulheres com mulheres; pais com filhos; homens com animais. Não havia mais o que inventar. Os cananeus não sabiam para onde ir, não tinham paz, não eram felizes porque uma vida sem Cristo não pode ter sentido.

O terceiro ponto é que embora aquele povo de Canaã não quisesse saber nada de Deus, Deus ainda teve muita paciência com ele.

Um dia, Abraão foi a Deus e lhe disse: “Senhor, tu me prometeste a terra de Canaã. Entrega-me-a já, agora! E Deus respondeu: Não Abraão, você não vai entrar ainda”. “Por que não”? E veja a resposta que Deus lhe dá: “E tu irás a teus pais em paz; em boa velhice serás sepultado. E na quarta geração tornarás para cá, porque a medida da injustiça dos amorreus não está ainda cheia”. (Gênesis 15:15 e 16)


Passaram-se cem anos. Abraão morreu e o povo Cananeu continuou se afundando na miséria, no pecado e na depravação. Então, os filhos de Abraão reclamaram a terra prometida e a resposta divina seguiu sendo: “Ainda não se encheu a medida da iniqüidade dos amorreus”.

Passaram dois séculos. Aquele povo já não tinha mais o que inventar e Deus disse: “Ainda não se encheu a medida da iniqüidade dos amorreus”.

Quatrocentos anos depois, a resposta divina continuou sendo: “Ainda não”. O povo de Israel reclamava: “Como é que não se encheu a medida da iniqüidade deste povo? Olha para ele, olha o que esse povo faz, como vive”. E Deus com lágrimas nos olhos responde: Filhos, eu amo vocês. Mas por favor, eu também amo este povo. Eu gosto dele e quero salvá-lo.

Deus disse em Sua palavra: “… não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho e viva…” (Ezequiel 33:11)

Amigo querido, para continuarmos analisando este assunto precisamos entender que embora Deus seja paciente com o pecador, o homem infelizmente sofre as consequências das suas decisões erradas. Foi assim que depois de 430 anos de espera, de súplica e de lágrimas, que aquele povo chegou ao fundo do abismo. O melhor para ele, era que parasse de respirar, porque morto já estava desde o momento em que se separou de Deus. E aquele povo parou de respirar a fio de espada.

Hoje, com a cultura de nosso tempo, aquela morte nos parece horrorosa, sangrenta e cruel. Claro, hoje, vivemos no século da câmara de gás, da cadeira elétrica. Mas aqueles eram tempos de sangue e guerra. Os povos viviam se agredindo e cortando a cabeça uns aos outros. Deus permitiu que esse povo de Canaã parasse de respirar com a morte mais natural e humana que podia haver naquela época, mas que hoje parece grotesco.


A morte das crianças, a mim muito me faz sentir mal, mas compreendo que nossos filhos carregam as tendências que deixamos para eles como herança genética. Quando vejo o Deus de misericórdia que Ele sempre foi, entendo que Ele recolheu aquelas crianças porque em Seu infinito amor sabia que elas seguiriam a mesma linha de conduta de seus pais.

Há muita gente que hoje se deleita em pensar apenas no momento trágico da morte dos cananeus, mas não pensa nem um pouquinho nos séculos e séculos em que Deus dizia: “Ainda não se encheu a iniqüidade desse povo. Ainda espero nele, ainda acredito. Mesmo que ele não queira mais nada comigo e me cuspa no rosto e jogue meus ensinamentos no lixo, Eu gosto dele e o amo”.

Por que será que nos lembramos apenas da morte daqueles homens e não da paciência divina? Acho que, às vezes, somos muito injustos com Deus.

Quando um médico observa um paciente com gangrena e decide amputar-lhe o braço, me diga: é porque o médico é cruel e sanguinário? Mau e perverso? Ou é porque o médico sabe que essa é a única saída?

Às vezes, amigo, para salvar um corpo temos que amputar um braço. Apesar do braço valer muito, ele está podre e tem que ser amputado se quisermos salvar o resto do corpo.

Na raça humana, aquele braço de Canaã estava podre; era um povo gangrenado. Tinha que ser amputado e o foi com amor e carinho. Esta era a única maneira de salvar o resto do corpo. De outra maneira, a humanidade toda ficaria depravada e esqueceria completamente de Deus.

Mas agora venha comigo ao Novo Testamento. O que acontece com Deus? Mudou? Se tornou bonzinho? Como aquele jovem ateu na Universidade me dizia um dia: Deus se arrependeu de todo aquele sangue que derramou no Velho Testamento, e agora vem derramar Seu próprio sangue na cruz?

Muito cuidado querido. Em Deus não existe mudança nem sombra de variação. Ele é o mesmo ontem, hoje e pelos séculos.

Quer ver Jesus no Novo Testamento? “E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça. E os seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito, que ninguém sabia senão ele mesmo. E estava vestido de uma veste salpicada de sangue…” (Apocalipse 19:11 a 13)

O que significa este sangue? Você acha que é o sangue que Jesus derramou na cruz do Calvário para nos salvar? Não, não é. Quer saber o que significa o sangue que salpica os vestidos de Cristo quando Ele voltar? Vamos então ler a passagem onde mostra o significado desse sangue.

O profeta pergunta: “Quem é este, que vem de Edom, com vestidos tintos de Bozra? Este que é glorioso em sua vestidura, que marcha com a sua grande força? Eu, que falo em justiça, poderoso para salvar. Por que está vermelha a tua vestidura? E os teus vestidos como o daquele que pisa no lagar? Eu sozinho pisei no lagar, e dos povos ninguém houve comigo; e os pisei na minha ira, e os esmaguei no meu furor; e o seu sangue salpicou os meus vestidos, e manchei toda a minha vestidura”. (Isaías 63:1 a 3)

Ah, meu amigo, eu tremo quando leio isto. Pessoalmente, não gosto de causar medo nas pessoas. Eu acho que o arrependimento por medo não é autêntico. As pessoas têm que ser atraídas pelo amor de Deus. Mas não posso deixar de pregar o que está escrito na Palavra de Deus. Quando Cristo voltar, Suas vestiduras serão manchadas de sangue, e esse sangue não é o sangue que Ele derramou na cruz do Calvário. Esse sangue será a vida de todas as pessoas que rejeitaram a Deus.

Hoje, estamos vivendo na época em que o povo de Israel continua perguntando: “Senhor, quando nos darás a terra prometida”?

E Jesus responde: “Ainda não”.

“Por que não”?

“Porque ainda não se encheu a medida da iniqüidade dos homens”.

Muitas vezes perguntamos: “Senhor, quando é que voltarás e nos levarás para a terra prometida”?

E Pedro responde: “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para convosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se”. (II Pedro 3:9)

Hoje, a resposta de Jesus continua sendo: “Ainda não se encheu a medida da iniqüidade das pessoas”.

Podemos argumentar impacientes: “Como não? Olhe a violência, a miséria, a fome. Olhe os filhos rebeldes contra os seus pais, os pais sem coração abandonando seus filhos. Olhe a boca do lixo em São Paulo, no Rio de Janeiro. Olhe as ruas centrais das grandes cidades do Brasil. Olhe Nova Iorque, Paris, Miami. Vai me dizer que ainda não se encheu a medida da iniqüidade desse povo?

E Deus diz: “Para você, tudo isso pode ser horrível, mas Eu amo este povo, amo os homossexuais, as prostitutas, os marginais, enfim, amo todos eles. Todos são valiosos para Mim. Dei a Minha vida por eles. Eles são a coisa mais linda que tenho. Não quero deixar de salvá-los. Vou continuar esperando-os.

E o tempo vai passando, e vamos a Deus e lhe dizemos: “Senhor, olha Tua Palavra, todos os sinais já foram cumpridos, quando é que Jesus vai voltar? E Jesus responde: “Não, ainda espero que meus filhos voltem a mim. Ainda acredito neles”.

Querido amigo, é preciso que você saiba: Não importa quem seja você. Por favor, não me diga quem é, não me diga como vive. Não importa onde você está, nem quão longe você viva de Deus. Não importa quão baixo você tenha caído, nem quão atado à miséria desta vida você possa estar. Acredite, querido, Deus o ama muito e nunca estará feliz, se você não retornar a Ele.

Agora, neste momento Ele está te esperando com os braços abertos. Lembre-se: não há nada que Deus não possa fazer por você se você lhe der uma chance.

ORAÇÃO

Pai querido, obrigado por Teu amor, pela misericórdia e paciência com que estendes Teus braços em direção aos Teus filhos. Abra os Teus ouvidos para o clamor de cada pessoa. Tem milhares abrindo o coração a Ti. Responda a petição de cada coração. Em nome de Jesus. Amém.