A SÉTIMA PALAVRA DE JESUS

PR. ALEJANDRO BULLÓN


“O texto para a mensagem de hoje está no evangelho de São Lucas 23, a partir do verso 44: “Já era quase a hora sexta e, escurecendo-se o sol, houve trevas sobre toda a terra até à hora nona. E rasgou-se pelo meio o véu do santuário. Então Jesus clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! E, dito isto, expirou.” (S. Lucas 23:44 a 46).


Estas são as últimas palavras de Jesus. Sua missão está chegando ao fim. Suas últimas palavras são: “Pai, nas Tuas mãos entrego o meu espírito.”


Dizem que as pessoas geralmente morrem do jeito que vivem. A vida de Cristo foi uma vida de entrega, de dependência e de submissão. E é justamente isso que faz antes de morrer. “Pai – ele diz – Nas Tuas mãos entrego o meu espírito”.


Sua vida vitoriosa, Seus atos vitoriosos, tudo, foi um resultado de uma vida de dependência do poder de Seu Pai. Que diferença da vida de auto-suficiência que às vezes nós vivemos!


Ouvi a história de alguém que nasceu pobre e fez uma grande fortuna vendendo sanduíches de presunto. Ele começou vendendo pão com presunto na rua, depois, comprou uma carrinho pequeno, e assim foi comprando outro e mais outro carrinho, até conseguir uma lanchonete, que teve sua filial, etc. Finalmente, quando morreu, tinha mais de cem lanchonetes. Fez-se milionário vendendo pão com presunto. Mas um dia entrou em coma e na hora da morte, suas últimas palavras foram:


– Por favor, cortem o presunto bem fino.


A vida toda desse homem girou em torno do presunto; e finalmente morreu pensando no presunto. A vida de Jesus foi completamente diferente. Sua vida foi sempre uma vida de entrega e morreu do jeito que viveu. Queira Deus que quando chegarmos ao fim de nossa existência, as nossas palavras revelem o que foi a nossa vida.


A essa altura quero lhe fazer uma pergunta: Se você tivesse que resumir todo o processo da salvação numa só palavra, que palavra usaria? Evangelho, Jesus, perdão, justificação, santificação? Que palavra você usaria?


Um dia, o jovem rico chegou a Jesus e perguntou: “Mestre, que farei eu de bom, para alcançar a vida eterna? Respondeu-lhe Jesus: “…guarda os mandamentos”.(Mateus 19:16 e 17)


Esse mesmo Jesus, em São João 6:47 diz: “Em verdade, em verdade vos digo: Quem crê, tem a vida eterna.” (S. João 6:47).


Aqui encontramos uma aparente contradição. Para ter a vida eterna, é preciso guardar os mandamentos ou crer em Jesus? Se isto não ficar claro, os cristãos vão se dividir em dois grandes grupos: aqueles que acham que o segredo da vida eterna é crer em Jesus, e aqueles que acham que o segredo da vida eterna é guardar mandamentos.


Mas amigo, Jesus não veio para dividir os Seus filhos. Como podemos então entender que da boca de Jesus saíram ambas declarações? O que Jesus estava querendo dizer? Vamos à segunda declaração. Quando Ele disse: “Quem crê, tem a vida eterna”. (João 6:47). Ele fala também: “Este é o pão que desce do céu…” (João 6:50). Ele diz mais: “…Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos.” (João 6:53).


Você precisa crer para ser salvo. Precisa crer para ter vida eterna. Mas além disso, precisa comer Seu corpo e beber Seu sangue. Aqui há duas figuras de linguagem interessantes: comer e beber.


Coloque um bocado de pão na boca e me diga: Quanto do pão você come? Coloque um gole de água na boca e me diga: Quanto dessa água você bebe? A resposta é simples; toda. O pão todo que você coloca na boca, a água toda. Quer dizer, que se você crer em Jesus, é necessário crer em tudo. Não pode crer parcialmente. Deve haver uma entrega completa. Seu corpo, sua alma, seu espírito, sua mente, suas emoções, tudo, tudo. É necessário crer, mas não basta crer da boca para fora.


São Tiago diz no capítulo 2, verso 19:”… Até os demônios crêem e tremem.” (Tiago 2:19).


Mas eles não serão salvos, sabe por quê? Porque eles crêem parcialmente. Veja o que Jesus está dizendo: “Se você quiser ter a vida eterna, creia, mas coma a Minha carne e beba o Meu sangue.” Quer dizer, creia em tudo, creia completamente, creia por inteiro.


Agora vamos entender o que Jesus disse para o jovem rico: “Se queres, porém, entrar na vida eterna, guarda os mandamentos.” (Mateus 19:17).


O jovem ficou confuso com essa declaração; não compreendeu. Por que você acha que Jesus disse algo semelhante? Porque Jesus foi um grande Mestre! Ele trabalhava com as pessoas levando-as do conhecido para o desconhecido. E aquele jovem rico havia crescido numa igreja que só pensava em mandamentos. Tudo o que ele conhecia eram mandamentos.


Jesus quis levar aquele jovem ao desconhecido, ao terreno da fé. Só que tinha que levá-lo a partir do conhecido. E como tudo o que ele conhecia era a lei, Jesus começou por aí. E o jovem afirma: “Tudo isso tenho observado…” (Mateus 19:20).


E Jesus lhe diz: “…Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres, e terás um tesouro no céu; depois vem, e segue-me.” (Mateus 19:21).


O que Jesus está tentando dizer é: “Filho, você tem que entregar tudo, se quiser ter vida eterna”.


Para entender melhor este assunto, temos que ler Marcos capítulo 10, onde está a história do jovem rico. Um pouco antes, no verso 13 deste capítulo, é registrada a história de quando as criancinhas corriam aos braços de Jesus e os discípulos não as repreendiam. Então Jesus disse: “Deixai vir a mim os pequeninos, e não os impeçais; porque dos tais é o reino de Deus.” (Marcos 10:14).


Depois tomou uma criança e disse: “…Quem não receber o reino de Deus como uma criança, de maneira nenhuma entrará nele.” (Marcos 10:15).


Minutos mais tarde, disse ao jovem rico: “Vende tudo o que tens… e segue-me”. Mas o que quer dizer tornar-se como uma criança?


Às vezes pensamos que, se queremos entrar no Reino dos Céus temos que nos tornar como crianças, quer dizer, temos que nos tornar inocentes, puros e limpos. Mas um adulto também pode ser puro, limpo e honesto. Pureza não é patrimônio das crianças. O que Jesus está querendo dizer é que para entrar na vida eterna temos que aceitar Jesus como uma criança? Esta é uma ilustração maravilhosa. A criança é completamente dependente.