Amar é compartilhar

Semana Jovem

Uma das histórias mais
chocantes que já ouvi é o
de Desmond Doss. Nascido na
Virgínia em 1919, em uma família
trabalhadora, Doss se alistou
no Exército dos Estados Unidos
durante a Segunda Guerra Mundial.
Por causa de suas profundas
convicções religiosas de que Deus
exortava a não carregar uma arma
com ele, ele treinou para participar
do corpo médico.
Você pode imaginar como é ir
para a guerra sem portar uma arma?
As convicções de Doss o levaram a
ser motivo de piada, abuso de seus
colegas e até desprezo de seus
superiores, mas ele nunca recuou.
No entanto, tudo mudou em
abril de 1945, quando a companhia
de Doss lutou na Batalha de
Okinawa, a batalha mais sangrenta
da Guerra do Pacífico. No meio da
luta, os japoneses mantiveram sua
posição; e, finalmente, o batalhão
americano se retirou.
Na retirada, Doss pôde ver
os corpos dos combatentes
americanos espalhados pelo
campo de batalha e soube que
havia feridos entre eles. Ele ficou

para trás e, sem se importar com
o perigo, correu rapidamente para
a zona de matança, carregando
os soldados feridos até a beira do
morro e baixando-os em segurança
sozinho, com uma corda que havia
feito.
Por doze horas ele repetiu essa
árdua tarefa, até ter certeza de que
não havia mais americanos feridos
em campo. Quando finalmente
deixou a área, Desmond Doss havia
salvado a vida de setenta e cinco
homens!
Por seu feito incrível, Doss foi
premiado com a Medalha de
Honra do Congresso. Anos depois,
perguntaram-lhe como encontrou
forças para continuar durante
aquela noite. Sua resposta foi
simples: toda vez que terminava
de colocar outro homem em
segurança, ele orava: “Senhor,
ajude-me a encontrar mais um”.
Queridos jovens, assim como
Desmond Doss, estamos em um
campo de batalha onde centenas e
centenas de pessoas estão sofrendo
e prestes a perecer. Qual é a nossa
responsabilidade então? Trabalhar
incansavelmente e orar: “Senhor,
ajude-me a encontrar mais um”. O
amor a Deus e ao próximo deve nos
levar a compartilhar a mensagem
da salvação.

Hoje, gostaria de compartilhar
alguns exemplos de pessoas que
não puderam ficar caladas e que,
por amor, decidiram anunciar aos
outros as boas-novas de Jesus;
pessoas como você e eu.
O primeiro exemplo pode ser
encontrado no Evangelho de
Marcos. A Bíblia nos diz que:

“Um leproso se aproximou de
Jesus e lhe pediu, de joelhos:
— Se o senhor quiser, pode me
purificar. E Jesus, profundamente
compadecido, estendeu a mão,
tocou nele e disse: — Quero, sim.
Fique limpo! No mesmo instante,
a lepra desapareceu dele, e ele
ficou limpo”.51
Como podemos ver nesta
primeira história, um homem cheio
de lepra veio a Jesus. Lembre-se
que a lepra era conhecida como
o “flagelo” ou “o dedo de Deus no
tempo de Cristo”. E você sabe por
quê? O professor e escritor Alfonso
Ropero nos conta que a lepra era
uma doença dolorosa e repugnante,
para a qual não havia cura.
51Marcos 1:40-42

Sim, queridos jovens, o homem
que se aproximou de Jesus estava
condenado à morte; no entanto, a
Bíblia diz que Jesus falou e sua pele
foi completamente limpa. O leproso
que foi condenado por esta terrível
doença encontrou a cura em Jesus.
O que aconteceu então? Vejamos
como termina a história:

“E, advertindo-o severamente,
logo o despediu. E lhe disse:
— Olhe! Não conte nada a ninguém, mas vá, apresente-se ao
sacerdote e ofereça, pela sua purificação, o sacrifício que Moisés
ordenou, para servir de testemunho ao povo. Mas, tendo ele saído, começou a proclamar muitas
coisas e a divulgar a notícia”. 52

Quando o leproso experimentou
a cura, a próxima coisa que ele fez
foi testemunhar de seu Curador.
Ele não conseguia ficar quieto! Ele
falou Daquele que o havia curado!
O segundo exemplo que
quero mostrar a vocês pode ser
encontrado no próprio Evangelho
de Marcos. 53 Ali é contada a história
de um personagem conhecido
como o endemoninhado gadareno.
A história conta que na região de
Gadara vivia um homem possuído
por nada mais nada menos que
uma legião de demônios.
É bom esclarecer que o termo
“legião” é de origem romana e se
refere a cerca de seis mil soldados
de infantaria e setecentos soldados
de cavalaria. Como você pode ver,
o homem da nossa história estava
sendo preso por muitos demônios!
Mas um dia, Jesus veio às praias
de Gadara com o propósito de dar
liberdade a esta pobre criatura.
Surpreendentemente, Jesus
subjugou o poder de Satanás e
libertou o homem do poder das
trevas. O que aconteceu então?
Vejamos por nós mesmos a
resposta em Marcos:

“Jesus, porém, não o permitiu;
ao contrário, ordenou-lhe: — Vá
para a sua casa, para os seus parentes, e conte-lhes tudo o que o
Senhor fez por você e como teve
compaixão de você. Então ele
foi e começou a proclamar em
Decápolis tudo o que Jesus lhe
tinha feito; e todos se admiravam”. 54

Viram? Quando o endemoninhado de Gadara experimentou o

52Marcos 1:43-45.
53Marcos 5:1-20.
54Marcos 5:19-20.

poder libertador de Jesus, ele não
pôde ficar calado. Ele, como o leproso, saiu e começou a divulgar as
grandes coisas que Jesus havia feito em sua vida!
O terceiro exemplo que quero
mostrar a vocês aparece no
Evangelho de João, no capítulo 4.
Nesta passagem lemos a história
de uma mulher atribulada e
envergonhada por seu passado.
Num dia quente, foi ao poço buscar
água e lá encontrou um estrangeiro
judeu que lhe disse: “Dê-me um
pouco de água”. Ela, como boa
samaritana que era, sabendo que
quem lhe pedia água era um judeu,
perguntou-lhe: “Como, sendo o
senhor um judeu, pede água a
mim, que sou mulher samaritana?”
É então que aquele personagem,
que era ninguém menos do que
Aquele que havia criado todas as
fontes de água, lhe disse: “Se você
conhecesse o dom de Deus e quem
é que está lhe pedindo água para
beber, você pediria, e ele lhe daria
água viva”.55
Aquela mulher perturbada pediu
a Jesus a água da vida! Ali mesmo,
naquele poço, ela experimentou o
poder do perdão e da salvação. O
que aconteceu depois? A Bíblia nos
diz que:

“Quanto à mulher, deixou o seu
cântaro, foi à cidade e disse ao
povo: — Venham comigo e vejam um homem que me disse
tudo o que eu já fiz. Não seria ele,
por acaso, o Cristo? Então saíram
da cidade e foram até onde Jesus
estava”. 56

A mulher samaritana, como o
leproso e o endemoninhado de
Gadara, não conseguiu ficar calada.
Quando ela experimentou o poder
do perdão, saiu e testemunhou
sobre seu Salvador!

Queridos jovens, a Bíblia diz que
“o amor de Cristo nos constrange”57,
ou, como diz a versão NAA, “o amor
de Cristo nos domina”.58 Quando o
amor do Senhor nos domina, não
podemos ficar calados, porque
amar é compartilhar.
Diz-se que depois que Cristo
ressuscitou, Ele ascendeu ao Céu
e foi saudado com entusiasmo
pelos anjos. Enquanto os anjos o
louvavam pela vitória alcançada,
um deles aproximou-se do Senhor
com a seguinte pergunta:
55João 4:10.
56João 4:28-30.
572 Coríntios 5:14, NVI.
582 Coríntios 5:14.


— “Que plano você tem para continuar o trabalho que começou
na Terra?
Sem hesitar, Jesus respondeu:
— Deixei nas mãos dos apóstolos.
Eles se encarregarão de contar
aos outros. E esses outros para
outros, até que o mundo inteiro
saiba.
O anjo perguntou-lhe novamente:
— E o que acontece se eles falharem? Você não tem outro plano?
O Senhor respondeu:
— Eu não tenho outro plano.
Queridos jovens! Não há outro
plano! O único plano é que cada
um de nós testemunhe sobre o que
Jesus fez em nós e por nós. O amor
a Deus e ao próximo deve nos levar
a compartilhar a mensagem da
salvação

Questões para reflexão e estudo

  1. Qual é a lição da história de Desmond Doss a respeito de nossa
    responsabilidade para com nossos irmãos sofredores?
  2. Onde o amor a Deus e ao próximo deve nos levar?
  3. Por que não podemos ficar calados quando o amor do Senhor
    nos domina?